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Desde que Donald J. Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, após prometer a maior deportação em massa da história, o país vive uma onda crescente de detenções. O ICE (Immigration and Customs Enforcement) recebeu mais financiamento, expandiu suas operações e aumentou significativamente o número de agentes nas ruas. Como resultado, mais imigrantes estão sendo presos todos os dias, seja em operações inesperadas, seja durante simples marcações de rotina nos escritórios da agência.
Apesar desse cenário, muitos imigrantes continuam despreparados para um possível encontro com o ICE. Um exemplo é o de um imigrante que chamaremos de “Vivaldo Liberto”, nome fictício para proteger sua identidade. Ele foi detido recentemente durante um check-in no escritório do ICE em Scarborough, no estado do Maine, um evento que poderia ter sido mais traumático se não houvesse mais informação e preparação.
Este artigo tem como objetivo oferecer uma visão prática e consciente sobre como uma boa preparação pode evitar longos meses de detenção ou até mesmo uma deportação por simples falta de conhecimento. As informações aqui apresentadas são baseadas em experiências reais de imigrantes; não constituem aconselhamento jurídico e não substituem a orientação de um advogado licenciado. Nosso propósito é fortalecer a comunidade com informação clara e necessária sobre a realidade atual.

Ser detido pela Imigração é algo que, em algum momento, já passou pela mente da maioria dos imigrantes. Mas quase nunca nos vemos realmente naquela cena. E justamente por isso, quando chega o dia — e ele pode chegar sem aviso — a maioria é pega de surpresa, sem planos, sem documentos organizados, sem contatos preparados, sem nada.
O ICE não costuma avisar antes de agir. Suas operações são rápidas, inesperadas e, muitas vezes, acontecem quando a pessoa menos imagina: ao sair para trabalhar, ao deixar o filho na escola ou até durante um simples check-in de rotina. Quando isso acontece, não há tempo para correr atrás do que faltou fazer.
É aí que a preparação antecipada se torna uma ferramenta poderosa — literalmente capaz de salvar vidas. Estar preparado pode ser o divisor de águas entre sair rapidamente da detenção com apoio da comunidade, ou ficar meses detido, sem informação, sem recursos e sem saber o que fazer.
Preparar-se antes é um ato de responsabilidade, proteção e sobrevivência. E quanto mais cedo essa preparação começar, maiores são as chances de enfrentar o inesperado com segurança.

Quando o assunto é a organização de documentos pessoais, a prática mais comum costuma ser manter cópias guardadas em casa. Embora esse método seja tradicional e fortemente utilizado, é importante considerar cenários em que o indivíduo possa ser abordado pelo ICE ou até mesmo detido longe de casa. Nessas situações, a forma como esses documentos estão organizados — e sobretudo o acesso rápido a eles — torna-se um fator decisivo para atenuar ou minimizar possíveis consequências indesejáveis, como a detenção prolongada.
No caso do Vivaldo, o acesso imediato aos seus documentos pessoais e de imigração permitiu que a mobilização da comunidade acontecesse de forma extremamente rápida. Assim que ele conseguiu telefonar para o seu contato de emergência informando que havia sido detido no escritório do ICE, o plano de contingência foi acionado sem qualquer atraso. O contato acessou, de imediato, uma pasta organizada no Google Drive — um dos principais serviços de armazenamento em nuvem — onde estavam reunidos todos os documentos essenciais do Vivaldo. Essa preparação antecipada agilizou significativamente o trabalho da advogada especializada em audiências de fiança, que rapidamente iniciou o processo de liberação do Vivaldo, assim que os documentos foram enviados e o contrato formalizado.
Alguns dos documentos que o Vivaldo mantinha organizados em sua pasta no Google Drive incluíam: passaporte; identificações pessoais — como a autorização de trabalho, a ID do estado do Maine e a carteira de motorista; certidões diversas; comprovantes de residência; todos os documentos e recibos relacionados ao seu processo de imigração; certificados e diplomas; além de seu histórico médico, entre outros registros essenciais.

O tom desta questão nos dá a entender que talvez exista um plano já criado em caso de emergências como ser pego pelo ICE, onde envolve uma terceira pessoa que mais para frente na parte 3/7 desta série vamos falar mais detalhadamente sobre, que é o contacto de emergência, que ficará responsável por iniciar o plano de emergência ou plano contigência como eu gosto de o chamar. Essa pessoa saberá exatamente onde todos os documentos essenciais estão e fará questão de os entregar ao advogado o mais depressa possível.
A segurança desses documentos também é um ponto crucial e, muitas vezes, negligenciado. É fundamental que a pessoa de confiança — o contato de emergência — saiba exatamente onde encontrar e como acessar tudo o que for necessário, sem que isso comprometa a segurança das informações. Por essa razão, os documentos devem estar disponíveis em dois formatos: físico e digital. No formato físico, é recomendável manter cópias organizadas no apartamento, preferencialmente em um recipiente identificado e de fácil localização, permitindo que o contato o encontre rapidamente em uma situação de urgência. Já no formato digital, serviços como o Google Drive oferecem praticidade e segurança; basta compartilhar o acesso da pasta com essa pessoa confiável. Dessa forma, você facilita a atuação da comunidade caso precise de suporte imediato, garantindo que a ajuda chegue de forma rápida e eficiente.

Além da organização dos documentos essenciais, é recomendável que todo imigrante mantenha um “Dossiê do Imigrante” — um conjunto de informações e evidências que pode ser determinante em situações de detenção, audiências de imigração ou revisões de caso. Esse dossiê deve ser atualizado periodicamente e armazenado tanto em formato físico quanto digital.
Carta pessoal
Inclua uma carta escrita por você, explicando brevemente sua trajetória, seus motivos para permanecer nos Estados Unidos e seu compromisso com a comunidade. Essa carta ajuda a contextualizar quem você é para as autoridades ou representantes legais.
Provas de presença nos EUA
Reúna comprovantes que demonstrem sua permanência contínua no país, como recibos, contratos, registros médicos, históricos escolares, extratos bancários e qualquer outro documento datado que confirme sua presença ao longo do tempo.
Evidências de boa conduta e laços comunitários
Documente sua participação e contribuição na comunidade: cartas de recomendação, declarações de líderes religiosos ou comunitários, comprovantes de voluntariado, certificados de cursos, histórico empregatício, entre outros. Esses materiais reforçam seu caráter, estabilidade e vínculos positivos no país.
Lista de contatos importantes
Mantenha uma lista atualizada de contatos essenciais, como advogado, contato de emergência, amigos próximos, líderes comunitários, supervisores de trabalho e membros de organizações que possam oferecer suporte imediato em caso de necessidade.

A preparação financeira é, sem dúvida, uma das etapas mais desafiadoras para muitos imigrantes — especialmente para famílias. Isso acontece porque esse planejamento parte do pressuposto de que há uma renda estável, algo que nem sempre corresponde à realidade. Mesmo quando existe uma fonte de renda, o pagamento das despesas básicas costuma consumir quase tudo, tornando o ato de economizar um verdadeiro desafio.
Ainda assim, por mais difícil que seja, é recomendável manter uma quantia mínima reservada exclusivamente para emergências, em especial para cobrir custos iniciais com advogados, pagamento de fiança ou outras despesas imediatas em caso de detenção. Essa reserva não precisa ser alta: o mais importante é que esteja separada, organizada e facilmente acessível, funcionando como um fundo emergencial dedicado a garantir respostas rápidas quando necessário.
Com a preparação individual concluída, é hora de avançar para a Parte 2: Rede de Apoio — O Papel da Comunidade.